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Coluna Simplesmente Cultura: Pense melhor, apoie a cultura local

Coluna Simplesmente Cultura: Pense melhor, apoie a cultura local

Data de Publicação: 8 de fevereiro de 2020

Marcio von Kriiger

Jornalista e gestor cultural.  Instagram: @vonKriiger

           Pense melhor, apoie a cultura local

Esta semana, quero utilizar estas mal traçadas linhas para voltar a um assunto que já foi tema da coluna há duas semanas. Naquela vez, tentei ser o mais didático possível para explicar o que é a Lei de Incentivo à Cultura. Desta vez, quero falar sobre um projeto específico, o CIEMH2 Núcleo Cultural que, da mesma forma que tantos outros projetos, está buscando recursos para continuar a incrementar a cultura local, oferecendo à comunidade uma série de novas possibilidades que, convenhamos, andam escassas nos dias atuais.  

Em Macaé, não há quem não conheça o CIEMH2. Desde 2005 na cidade, o núcleo cultural iniciou sua trajetória como um centro de estudos do hip hop e, por isso mesmo, atraiu para si uma geração inteira de jovens oriundos dos mais diferentes bairros da capital do petróleo. Com o tempo, veio chegando mais gente pra equipe e a associação pode aumentar o leque de ofertas. Foi aí que surgiram as oficinas de dança, canto, teatro, artes plásticas, audiovisual, DJ, fotografia, iluminação, sonorização e produção cultural. Hoje, o CIEMH2 acumula um sem fim de prêmios que atestam a qualidade do trabalho ali desenvolvido, e um currículo de colocar inveja em muita gente, com apresentações, inclusive, na Europa.

Apesar de todo esse portfólio, o CIEMH2 vem enfrentando dificuldades para conseguir captar o volume total de recursos necessários para dar continuidade ao projeto Artes Integradas em Curso, aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura em dezembro de 2017.  O projeto prevê a realização de cinco edições de mostras culturais em cinco bairros de Macaé, com atividades de dança, teatro, música e circo. Além disso, estão previstas aulas abertas, exposições de graffiti e pintura em tela e a criação do Espaço Leitura, Sabor e Arte.

 

 

                       O CIEMH2 já formou uma geração de jovens

 

 

A EDF Norte Fluminense já se comprometeu em investir 19% do montante, enquanto outros 18,62% foram amealhados a partir de doações de pessoas físicas. Para conseguir o restante, a instituição tem realizado uma forte campanha de divulgação e, porque não dizer, conscientização.

Sim, conscientização sim. Afinal, o investimento na cultura local é um jogo de ganha-ganha incomensurável. Ganha o município, ao atrair visibilidade para si como cidade que promove movimentos culturais. Ganha a comunidade, por saber que seus jovens estão sendo beneficiados por um projeto capaz de lhes oferecer uma experiência de vida enriquecedora e, quem sabe, uma profissão futura. Ganha o empresário, que pode abater do imposto de renda devido o valor destinado ao mecenato cultural, além de garantir divulgação da sua marca em todo o material de campanha do projeto. Ganham os alunos, ganham os professores, ganha a instituição.

E se você, empresário, ainda não sabe como fazer, procure o seu contador. Ele vai lhe explicar que as empresas de lucro real podem aportar até 4% do imposto devido em projetos culturais. Da mesma forma, as pessoas físicas podem doar até 6% do que seria abocanhado pelo leão. Ao contrário de grande parte do que se paga, esse dinheiro tem retorno.

Eu conheço o CIEMH2 há vários anos. Posso atestar que se trata de uma instituição seríssima, competente e absolutamente transparente em suas ações (e prestações de conta). Portanto, pense bem, pense melhor. Investir na cultura local faz bem pra você e pra sua cidade.