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Coluna Wesley Machado: Treinador de futebol, a profissão mais instável no Brasil

Coluna Wesley Machado: Treinador de futebol, a profissão mais instável no Brasil

Data de Publicação: 10 de fevereiro de 2020

Jornalista, botafoguense e apaixonado por  futebol desde as divisões inferiores dos estaduais até a Copa do Mundo

E-mail: wmescreve@gmail.com

 Treinador de futebol, a profissão mais instável no Brasil

Existe uma frase do senso comum que diz: "Técnico não ganha jogo, no máximo atrapalha", ou algo do tipo. Mas será mesmo? Vejam o caso do português Jorge Jesus no Flamengo, que fez o time jogar com a chamada intensidade e levou o Rubro Negro a conquistar dois dos títulos mais difíceis para os clubes brasileiros, o Brasileirão e a Libertadores.

Claro que Jorge Jesus tem à sua disposição jogadores de alto nível, o que eleva à equipe a "outro patamar", como bem disse o atacante Bruno Henrique. Mas temos de reconhecer que o trabalho de Jorge Jesus é diferenciado. Um dos diferenciais do técnico português é que ele não poupa os atletas.

Os principais atletas do Flamengo, que disputaram a final do Mundial de Clubes no dia 21 de dezembro de 2019, se reapresentaram no dia 27 de janeiro de 2020 e já entraram em campo para um jogo oficial no dia 3 de fevereiro de 2020. Por mais que Jorge Jesus tenha dito que está usando o Carioca como pré temporada, foram apenas seis dias da reapresentação até o primeiro jogo "oficial".

Este é o grande mérito de Jorge Jesus no Flamengo. Ao que parece os atletas do Rubro Negro não têm regalias. Claro que podemos dizer que eles ganham muito bem e devem mesmo se dedicar nos treinos e nos jogos. Mas reconhecidamente o técnico português não dá mole para os atletas.

 

 

 

 

Uma cena me chamou atenção num treino recente do Flamengo. Jorge Jesus, no alto de seus 65 anos, corria junto com os atletas. Trata-se de um cara muito profissional, o que compensa o seu aparente pedantismo.

Realmente foi um choque de gestão e os treinadores brasileiros agora estão sendo mais cobrados. Além disto, abriu-se um mercado para treinadores estrangeiros no Brasil.

Mostra de que a cobrança aos técnicos aumentou no Brasil é que só neste final de semana, conforme notícias do site Globoesporte.com, pelo menos 12 técnicos foram demitidos em clubes profissionais no Brasil, que disputam os Campeoantos Estaduais.

Alguns clubes que tiveram a demissão do técnico neste final de semana noticiada pelo site Globoesporte.com são os seguintes: Botafogo-RJ, CSA-AL, Vila Nova-MG, Moto Club-MA, Tapajós-PA, Carajás-PA, Timon-PI, União Beltrão-PR, Comercial-SP, Anápolis-GO, Grêmio Anápolis-GO e Iporá-GO.

Diante disto tudo e apesar de ser uma profissão super valorizada, com uma parcela ínfima ganhando salários astronômicos, que não condizem com a capacidade real dos treinadores interferirem no resultado de uma partida, podemos afirmar que a profissão de treinador de futebol no Brasil é a mais instável no país dos desempregados.