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Simplesmente Cultura: Na crise, cultura – A Missão

Simplesmente Cultura: Na crise, cultura – A Missão

Data de Publicação: 21 de março de 2020 18:50:00

Marcio von Kriiger

Jornalista e gestor cultural.  Instagram: @vonKriiger

                  Na crise, cultura – A Missão

E aí, como está a sua quarentena? Em tempos de coronavírus, além dos merecidos aplausos voltados aos profissionais de saúde, peço licença para estender as homenagens a duas outras categorias, que vêm cumprindo com maestria as suas respectivas missões: a imprensa e o setor cultural. A imprensa, por estar sendo incansável em nos trazer todas as informações possíveis para minimizar os impactos e as possibilidades de contágio. E a cultura, por tornar nossos dias de exílio doméstico tão mais amenos.

Não há como se entediar frente à recente inundação de lives no @instagram. E tem pra todos os gostos. A galera da pura MPB pode se entreter com o #festivalficoemcasa, que traz entre as atrações, nomes como Maria Gadú, Paulo Miklos, Teresa Cristina, Chico César, Ivan Lins e Adriana Calcanhoto. Para os que são mais chegados ao pop, o #festivalmúsicaemcasa convidou artistas como Sandy, que estreou a programação, Melim, Léo Santana, Mumuzinho e As Bahias e a Cozinha Mineira.

Para os cinéfilos, então, a quarentena virou tempo de maratonar em frente à TV. Na última sexta-feira (20), a Netflix fez o lançamento da série Self Made, que conta a incrível história de Sarah Breedlove ou Madame C. J. Walker, vivida pela não menos incrível Octavia Spencer. Nessa eu mergulhei: confesso que assisti a série inteira num só play. Fantástica! Recomendo. Entre os lançamentos, tem ainda Toy Boys, um suspense espanhol chato, com lindos cenários e mulheres e rapazes tão belos quanto canastrões. Só a curiosidade lhe prenderá até o último capítulo. (#prontofalei)

 

 

           Octavia Spencer estrela a série Self Made, da Netflix

 

 

Para os cinéfilos, o oásis desses tempos de reclusão tem sido a abertura de sinal dos canais Telecine, não contemplados em meu pacote de assinatura graças aos tempos de recessão econômica. Tem muita coisa boa rolando por lá e, de novo, pra todos os gostos. Aqui em casa, as tardes têm sido preenchidas com os clássicos do canal Cult. Vi até Doutor Jivago, uma relíquia cinematográfica!

E ainda tem o @teatroonline, lançado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, que neste fim de semana exibirá três espetáculos teatrais pelo o Youtube. A programação foi aberta na sexta-feira (20) com o espetáculo A Gaiola. No sábado (21) e no domingo, serão apresentadas as peças Contos Partidos de Amor e Vamos Comprar um Poeta, respectivamente. Os vídeos são disponibilizados entre às 10h e 14h. Para assistir, e só ficar de olho no site www.palavraz.com.br .

A turma do meio copo vazio pode não ver muito sentido no movimento cultural que foi criado em torno deste período subitamente caótico. Mas ele tem uma razão nobre: a de contribuir com nossa saúde mental, minimizando o stress que a reclusão pode significar e, no âmbito mais profilático, de nos manter em casa a fim de não tornar mais difícil o que já está sendo tão trágico.

Em tempos em que o setor cultural é tão criticado e questionado, está aí um bom motivo para refletir sobre quão significativo é o trabalho desses profissionais, de camareiras a produtores; de figurinistas a iluminadores; de músicos aos atores; de maquiadores a cenógrafos, e mais um sem fim de trabalhadores que formam esta cadeia produtiva. Sim, porque cultura é negócio, cultura é economia e, por isso mesmo, deveria ser tratada com o respeito que lhe é merecido.