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Wesley Machado: O Corona e a Vida

Data de Publicação: 25 de março de 2020

Jornalista, botafoguense e apaixonado por  futebol desde as divisões inferiores dos estaduais até a Copa do Mundo

E-mail: wmescreve@gmail.com

                        O Corona e a Vida

E aí? Como vocês estão? Estão bem? Preocupados com esse Coronavírus né? Ou não? Minha filha mais velha, Luiza, que vai fazer 11 anos de idade dia 23 de abril, disse não estar "nem ligando" para o Coronavírus. Isto porque ela queria comemorar o aniversário dela com as coleguinhas de escola na nossa casa. Detalhe que já faz alguns anos que eu não faço festa em aniversários das pessoas do nosso núcleo familiar. Mas Luiza cismou que queria uma festinha este ano. Falei com ela que vamos ver como vai ficar esta pandemia. Mas, por mim, como de costume, penso só em um bolinho mesmo para a família.

Luiza também queria estar indo para a escola. Ela não aguenta é ficar em casa mais. Não votei no Bolsonaro, mas entendo uma questão levantada por ele em seu polêmico pronunciamento na noite de terça-feira (24/03), que está repercutindo. Fico pensando como estão e vão fazer para se virar os comerciantes de pequeno porte por exemplo. Sei que a preocupação do presidente é mais com os grandes empresários.

Estou falando isto – e agora vai entrar o futebol – porque li uma reportagem do site UOL sobre o ex-goleiro Wágner, Campeão Brasileiro com o Botafogo em 1995. Wágner, depois que se aposentou, chegou a ser preparador de goleiros do Botafogo. Depois virou taxista. E de uns anos para cá, abriu um restaurante especializado em peixes num mercado em Niterói. O restaurante se tornou um sucesso, em especial com os botafoguenses, que vão ao local para comer um peixinho e aproveitam para conversar, tirar foto e pedir o autógrafo do goleiro que entrou para a história do Botafogo.

 

 

 

 

Eu mesmo, que morei em Niterói onde frequentei muito o estádio Caio Martins, tenho vontade de ir um dia com meu pai botafoguense lá para ter esta oportunidade. Mas eu ia falando dessa questão dos comerciantes considerados pequenos. Pois então que eu me sensibilizei com a história do Wágner – pelo fato de ter uma afeição pelo ex-goleiro do Botafogo, que foi um dos melhores em campo na final de 95, tendo realizado várias defesas milagrosas, logo ele que foi tão criticado ao longo de sua carreira, mas que ficou marcado por aquele título.

O que me chamou atenção e me sensibilizou na história do Wágner reportada pelos jornalistas Bernardo Gentile e Vanderlei Lima, do UOL, foi uma informação. De que Wágner gasta R$ 8 mil por dia para abrir seu restaurante. "Isso sem contar salários dos funcionários", conta Wágner na reportagem. Imaginem isto. R$ 8 mil por dia. Com a determinação do fechamento do comércio, Wágner está preocupado com o aluguel e o condomínio do local onde fica o seu restaurante. Para ele, o mais urgente agora é pagar os salários dos funcionários, para se ter uma ideia do caráter do ex-goleiro do Botafogo.

Portanto, quando penso que eu posso estar numa zona de conforto, pelo fato de ser servidor público estatutário e, mesmo que ganhe relativamente pouco, mas o salário, ao que parece, está garantido; fico pensando em quem tem de "fazer" dinheiro todo dia. Claro que a saúde e a vida das pessoas são muito mais importantes. Mas, tendo um pouco de boa vontade com este governante o qual considero realmente um tanto quanto desleixado, tendo a concordar em parte com ele de que a vida tem de continuar. Aos poucos teremos de voltar à nossa rotina.