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Didi "Folha Seca", o Campista mais conhecido no mundo, nos deixava há 19 anos

Didi "Folha Seca", o Campista mais conhecido no mundo, nos deixava há 19 anos

Data de Publicação: 13 de maio de 2020
Didi foi Bicampeão Mundial com o Brasil (1958/1962) e ainda se viu consagrado como o Maior Jogador da Copa de 1958

Foto: Reprodução/Lance.com.br

Por Wesley Machado

Nesta terça-feira (12/05) completaram-se 19 anos da morte do campista mais conhecido no mundo. Nascido em Campos dos Goytacazes-RJ no dia 8 de outubro de 1928, Waldir Pereira, o Didi, foi Bicampeão Mundial com o Brasil (1958/1962) e ainda se viu consagrado como o Maior Jogador da Copa de 1958, realizada na Suécia. Foi autor do primeiro gol do Maracanã pela Seleção Carioca em junho de 1950 num amistoso contra a Seleção Paulista. A "Folha Seca" era um chute de três dedos em que a bola caía como uma folha seca dentro do gol para surpresa do goleiro.

Começou a jogar no São Cristóvão do bairro Morrinho em Campos dos Goytacazes-RJ. Na sua cidade natal, cortada pelo Rio Paraíba do Sul, pelo qual era apaixonado, jogou ainda no Industrial da Fábrica de Tecidos da Lapa, no Time da Usina São João, no Róseo-Negro Rio Branco da Rua Sete de Setembro no Centro e fez amistosos pelo Goytacaz e pelo Americano.

Foto: Site Viva La Resenha

Foi para o Rio de Janeiro para jogar no Madureira. Saiu para uma passagem rápida no Lençoense-SP, voltou ao Rio para jogar pelo Fluminense, onde participou dos títulos do Campeonato Carioca de 1951 e da Copa Rio de 1952 pelo Tricolor. Contratado a peso de ouro pelo Botafogo, foi três vezes Campeão Carioca (1957-61-62) e Campeão do Torneio Rio-São Paulo pelo Glorioso. Transferiu-se para o Real Madrid da Espanha, voltou ao Botafogo e jogou ainda no Sporting Cristal do Peru, Veracruz do México e no São Paulo, onde pendurou as chuteiras em 1966.

Didi foi, ainda, técnico de futebol.  Treinou a Seleção do Peru na Copa de 1970; River Plate da Argentina (1970-72); Fenerbahçe da Turquia, onde conquistou dois Campeonatos Turcos (1973/74-1974/75) e uma Supercopa da Turquia (1974/75); Fluminense (1975); Al-Ahli da Arábia Saudita, onde foi campeão da Copa do Rei de 1979; Cruzeiro (1981), Seleção de Novos do Equador (1981), Botafogo (1981); Alianza Lima do Peru (1986) e Bangu (1989). Faleceu no dia 12 de maio de 2001 por complicações de um tumor no fígado.

"Tenho consciência, que fiz por onde chegar a algum lugar. Sei bem disso. Mas sei também que Deus foi bom demais, dando-me além. Quantos fazem por merecer, e nada conseguem", disse Didi certa vez ao seu biógrafo Péris Ribeiro, que publicou na primeira metade da década de 1990 o livro "Didi: O Gênio da Folha Sêca", muitos anos anos do boom de livros sobre futebol. A biografia de Didi nas letras de Péris foi uma das pioneiras no Brasil, um mercado que cresceria depois, mas que à época estava ainda incipiente.

Em 2019, em entrevista para uma reportagem do site GloboEsporte.com, um dos filhos de Didi; Adilson Pereira, o Bibi, afirmou que o pai não teria o devido reconhecimento em seu país, mas que é muito respeitado no Peru. Se formos considerar a fala de Didi para Péris vamos entender que, para Didi, Deus havia lhe dado mais do que "merecia". Além de sereno, Didi era modesto. Fazemos então, quase duas décadas após sua morte, mais uma homenagem merecida a este eterno vencedor!

*Jornalista, Escritor e Pesquisador, Wesley Machado - 1º Lugar na Categoria Blogs do 1º Prêmio Botafogo de Imprensa em 2015 e Autor do E-Book "Botafogo, Roxinho e Outros Textos Sobre Futebol" (Edição do Autor, 2020)