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Wesley Machado: Campos, foco da luta abolicionista, foi pioneiro na inserção do negro na política e no futebol

Wesley Machado: Campos, foco da luta abolicionista, foi pioneiro na inserção do negro na política e no futebol

Data de Publicação: 10 de junho de 2020

 

Jornalista, botafoguense e apaixonado por
futebol desde as divisões inferiores dos
estaduais até a Copa do Mundo

E-mail: wmescreve@gmail.com


 

Campos, foco da luta abolicionista, foi pioneiro na inserção do negro na política e no futebol

O município de Campos dos Goytacazes-RJ foi um dos focos da luta pela abolição da escravidão no final do século XIX. Além de José do Patrocínio, o "Tigre da Abolição", que foi para o Rio de Janeiro e ganhou projeção nacional; em Campos, Luis Carlos de Lacerda, fundador do Jornal 25 de Março, teve papel fundamental na luta do Movimento Abolicionista.

No início do século XX, o campista Nilo Peçanha, mestiço, se tornou presidente da República do Brasil, o primeiro político negro a conseguir tal feito. Como não poderia deixar de ser, Campos não poderia ficar de fora da luta pela inserção do negro no futebol. E, sim, Campos marcou território também nesta bandeira.

Em 1912 foi fundado por negros no bairro do Caju o Campos Athletic Association, que depois ficaria conhecido como "Roxinho" por conta de uma das cores, a mais incomum, do seu uniforme, a roxa.

Há três versões para a cor roxa no uniforme do Roxinho. A mais difundida é de que as três cores do Campos, roxa, preta e branca, simbolizam a união das raças, com a roxa representando o mestiço.

Outra versão é que o Campos só aceitaria jogadores mestiços (ou pardos para seguir a definição do IBGE) em suas equipes. Portanto não aceitaria nem pretos (seguindo ainda a definição do IBGE), nem brancos. Esta versão é do escritor campista Waldir Pinto de Carvalho.

 

 

 

 

Outra versão, do torcedor, ex-jogador e dirigente do clube, Carlos Alberto Gomes Lima, conhecido como Redondo, é de que a cor roxa no uniforme do Campos não tem a ver com o mestiço e sim com a cor dos caixões do cemitério do Caju, bairro onde o clube foi fundado.

Ademais, o fato é que o Campos em 1918, 30 anos após a Lei Áurea, foi campeão citadino de Campos dos Goytacazes com um time formado por 10 jogadores negros e apenas um jogador branco, tornando-se o primeiro clube que se tem notícia no Brasil a ser campeão com um Time de Negros.

Foto: Time de Negros do Campos Campeão de 1918/Almanaque Esportivo do Jubileu de Ouro do Futebol Campista