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Simplesmente Cultura: Ao compositor

Data de Publicação: 16 de junho de 2020

Marcio von Kriiger

Jornalista e gestor cultural

Instagram: @vonKriiger


 

                              Ao compositor

No mundo musical, esta terça-feira (16) foi marcada pelo aniversário de 75 anos do grande compositor Ivan Lins, que usou a data para celebrar (também) os 50 anos de carreira. Pouco conhecido pela geração atual, que prefere um repertório de mais fácil consumo – e valor artístico dúbio –, Ivan foi um dos poucos brasileiros a integrar o seleto grupo de compositores a firmar carreira primeiro nos Estados Unidos e depois na Europa, onde vive atualmente.

A carreira de Ivan Lins teve início na década de 1970, nos saraus promovidos por Aloízio Porto Carrero de Miranda, às sextas-feiras, em sua residência na Tijuca (RJ). De lá saíram nomes notáveis da nossa melhor música popular brasileira: Taiguara, Gonzaguinha, Aldir Blanco, César Costa Filho e o próprio Ivan. Juntos, eles formaram o Movimento Artístico Universitário (M.A.U). Na busca por um público jovem, oprimido pelo regime ditatorial de então, o M.A.U criou os Festivais Jaceguai, apresentados no Instituto de Educação do Rio de Janeiro, na mesma Tijuca.

Dali para a extinta TV Tupi foi um pulo. A emissora estava atrás de uma turma de jovens músicos, capazes de revolucionar a linguagem dos festivais de música que tanto sucesso faziam nas concorrentes, Globo e Record. Pronto, o nome de Ivan Lins passou a merecer o reconhecimento de crítica e público, dando início à consolidação de sua carreira.

 

 

Desde o início da carreira, as composições de Ivan Lins se destacavam pelo lirismo das letras e a sofisticação da harmonia

 

 

Mas não foram só flores. Ivan chegou a ser taxado de ufanista pela galera mais contestadora quando conquistou o segundo lugar do V Festival Internacional da Canção, na Rede Globo, com a canção O Amor É O Meu País. Em 1985, uma outra geração tão contestadora quanto faria sérias críticas à apresentação do músico no primeiro Rock in Rio, marcada pela perda da voz, embargada pela emoção daquele momento.

Para celebrar a data, Cláudio Lins – cantor, compositor e filho de Ivan – comandou uma liveshow com transmissão no canal que mantém no YouTube. Por lá passaram parceiros musicais de Ivan Lins, interpretando algumas das pérolas do vasto repertório do homenageado.

Pela qualidade das composições, o legado musical de Ivan Lins é considerado como o que mais se aproxima da obra de Tom Jobim. Suas canções foram e são cantadas por nomes como Elis Regina, Leni Andrade, Leila Pinheiro, Simone, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, entre outras. As escolas de música deveriam incluir o estudo dessa obra em seus currículos, plena de poesia e arranjos que se diferenciam pela sofisticada harmonia.