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Vida Vegana: Nem frescura, nem loucura!

Vida Vegana: Nem frescura, nem loucura!

Data de Publicação: 11 de outubro de 2020 09:23:00

Angela Brito - jornalista, instrutora de yoga, palestrante, ativista vegana e...ufa! Cozinheira de mão cheia.

Instagram: @angela.britoveg


 

               Nem frescura, nem loucura!   

 Já falei sobre isso aqui e vou repetir quantas vezes forem necessárias. Nós veganos temos nojo quando a comida é feita nos mesmos utensílios por onde passam carne. Para nós não tem diferença se a carne é de vaca ou de cachorro, entende? É tudo igual. É claro que abstraímos quando vamos na casa de carnistas e, gentilmente, nos oferecem uma opção vegana, ou em restaurantes com cardápio inclusivo. Eu procuro não pensar no processo e saborear a refeição com gratidão. Mas, esta questão fica complicada quando moramos ou passamos um período maior com pessoas que (ainda) se alimentam de animais. O dia a dia faz nossas diferenças serem gritantes. Temos que lidar, por exemplo, com situações como colocarem o presunto em cima dos legumes na geladeira, ou pegarem a esponja que lavou a bacia onde o frango foi temperado e usar na louça. Pelo amor de Deus, gente, que nojo! Você gostaria que alguém pegasse uma carne de gato e colocasse em cima da sua comida?

Na casa dos meus pais, onde a intimidade me permite algumas vantagens, tenho tudo separado, até a esponja. A geladeira que fica na área externa também é reservada para mim. Lá só se guarda legumes, frutas e alimentos sem origem animal.  Ainda assim, não pense que é fácil para ambos os lados. Se fico muitos dias com eles, complica.  Esta semana, por exemplo, meu pai quase pegou o muffins de legumes com a mesma pinça que estava na travessa do peixe frito. Se não sou eu a dar um espontâneo grito de pavor (Nãooooo!), ia perder os meus bolinhos. 

Além de não compartilhar os pegadores, cuidado ao passar as travessas com carne sobre os outros pratos, deixar cair caldo pode arruinar o almoço do vegano.

Claro que ouço críticas do tipo: “Nossa! Você está ficando doente com isso!” Nesta hora, me agarro ao silêncio dos meus pensamentos e me entrego a famosa frase do Professor Hermógenes, um dos pioneiros do yoga no Brasil: “ Deus me livre de ser normal!”

Hoje em dia, não consigo nem me imaginar casando com alguém que come carne. Teria que ter duas cozinhas ou seria divórcio garantido em pouco tempo.

Me lembro sempre de um amigo contando que ele e a mulher, também vegana, passaram a levar toda a ceia deles para o Natal da família. Antes chegavam só com um prato principal e as guarnições – arroz, farofa, saladas sem carne ou maionese - comiam as que eram servidas. Mas, depois de muitas brigas na “Noite de Paz” com parentes sem noção, optaram por levar até mesmo o arroz. Nas palavras dele: “porque tem sempre um filho da p*** que pega a colher do arroz e enfia no tender.”