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Saúde pública: desafios do próximo prefeito de Campos

Saúde pública: desafios do próximo prefeito de Campos

Data de Publicação: 15 de outubro de 2020 07:34:00
A área viveu um caos em 2019 e os problemas persistem no município

 

Foto: Arquivo

O Expresso Campista publica nesta quinta-feira (15), a segunda reportagem da série sobre os desafios do próximo prefeito de Campos dos Goytacazes. O tema de hoje é a saúde pública. Com mais de 500 mil habitantes, o município se orgulha do Hospital Ferreira Machado, que atende também moradores de cidades vizinhas - em alguns casos de emergência e urgência – mas a demanda sobrecarregou o sistema e gera um grande número de pacientes nos corredores.

Além disso, muitas Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão em estado precário, com falta de insumos e péssimas estruturas.

O EC ouviu Dr. Hélio da Nóbrega Novais, presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) que falou sobre o cenário da saúde pública e as perspectivas.

Expresso Campista: Quais os pontos mais delicados na saúde pública em Campos?

Dr. Hélio da Nóbrega Novais: Os pontos mais delicados de saúde pública de Campos são os mesmos há muitos anos. É recorrente a falta de insumos e medicamentos nas unidades hospitalares, desde muito antes da pandemia de Covid-19. Falta de infraestrutura física e de equipamentos em praticamente todas as unidades de saúde pública, o que resulta em elevados índices de insatisfação entre os profissionais e usuários do sistema público de saúde, sobretudo em razão dos altos índices de insalubridade. Insalubridade essa, infelizmente, não reconhecida pela prefeitura.

Expresso Campista: Existe solução para os pacientes nos corredores dos hospitais Ferreira Machado e Geral de Guarus?

Dr. Hélio da Nóbrega Novais: Esses dois hospitais são as unidades hospitalares referência no atendimento de urgência e emergência para diversos municípios da região Norte Fluminense por se tratar de hospitais de “portas abertas”, equilibrar os índices de demanda e oferta por leitos não é tarefa fácil, em especial, nos setores de trauma, ortopedia e também de pacientes clínicos que precisam de assistência em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). No entanto, descentralizar o atendimento das variadas situações emergenciais, equipando, de modo estratégico, as unidades Pré-Hospitalares (UPHs) 24h, com materiais e recursos humanos, para que estas atendam ao paciente de forma resoluta e completa, poderá desafogar os principais serviços de atendimento de urgência e emergência da nossa região (HGG E HFM).

Expresso Campista: Quais as condições atuais que os médicos enfrentam no sistema de saúde pública em Campos?

Dr. Hélio da Nóbrega Novais: Os médicos que atendem nas unidades públicas de saúde do município, muitas vezes, atuam de forma heroica. Expõem-se a inúmeras deficiências, que os colocam em riscos, e precisam lutar com toda a sua força e empenho para que o atendimento ao paciente não seja comprometido. A segunda grande dificuldade é a falta de valorização, condições de trabalho, remuneração digna. É válido frisar, que os servidores estão há cinco anos sem quaisquer reajustes salariais. Essa informação, lamentavelmente, não chega até a população que recebe os nossos serviços. Os médicos precisam contar com estrutura adequada, medicamentos disponíveis e equipamentos em pleno funcionamento para que o serviço de saúde seja realizado de forma eficaz. Todas as vezes que algum item falta, o trabalho do médico torna-se mais difícil de ser realizado e o atendimento de qualidade garantido.