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Vida Vegana: Korin, o símbolo da hipocrisia

Vida Vegana: Korin, o símbolo da hipocrisia

Data de Publicação: 8 de novembro de 2020 14:23:00

Angela Brito - jornalista, instrutora de yoga, palestrante, ativista vegana e...ufa! Cozinheira de mão cheia.

Instagram: @angela.britoveg


 

 Korin, o símbolo da hipocrisia

Esta semana um amigo disse que não come bife porque sabe como o boi é tratado: "Me alimento apenas dos animais criados pela Korin, livres, com uma vida normal, abatidos de maneira o mais rápido possível e depois  cultuados porque morreram para alimentar o homem."

Não foi a primeira vez que ouvi estarrecida alguém justificar o consumo de carne escorando-se na magnanimidade hipócrita da marca Korin e sua propaganda nonsense de "abate humanitário". 

A Korin se orgulha de ser a pioneira no Brasil na produção de ovos de galinhas livres e de abate alinhado ao bem estar do animal. Ora bolas! Como eu posso matar e ao mesmo tempo dizer que dou uma boa condição de vida às minhas vítimas?  Os frangos deles, ou "produtos", vivem livres, sem antibióticos e comem comida orgânica. O abate acorre depois de 46 a 72 dias de vida! Isso mesmo que você leu: dias de vida! (O tempo é igual em todos os abatedouros.)

A estimativa de vida de um frango realmente livre é de 5 a 10 anos. Mas, na cabeça dos consumidores dos cadáveres da Korin está tudo certo, afinal, foi "humanitário", eles viveram, ainda que por curto período, comendo saudável e ciscando inocentes ao ar livre. Que lindo, não?

É como se eu te convidasse para um final de semana no melhor resort do Brasil: ótima comida, banho de mar, passeios na natureza... Na segunda-feira, porém, te abato de forma humanitária degolando o seu pescoço e ainda rezo pra você.

O site da Korin é recheado de termos como "bem estar" e "preocupação" com os bichinhos. A empresa se vangloria de ter certificações como da Human Farm Animal Care (HFAC), organização Americana que assegura a integridade do animal até o seu assassinato nos abatedouros por motivo torpe. (sim! Atualmente, no estágio em que já nos encontramos no planeta Terra, comer animais é motivo torpe.) O que o site não informa é como se dá o processo. 

Os frangos livres da Korin

Depois de passarem dias maravilhosos no "spa" da Korin em Ipeúna/SP, os frangos são "abatidos de forma humanitária". As aves são levadas com todo cuidado até o abatedouro. Lá são penduradas em ganchos, pelos pés, e têm a cabeça mergulhada em água com corrente elétrica suficiente para desacordá-las, o que reduz bastante danos como hematomas. Após o desmaio, estão prontas para terem os pescoços cortados. Produto 100% natural, diz o site para deleite do crente consumidor. 

O destino dos frangos (Esta foto não é da Korin, é de outro abatedouro)

Por ser uma empresa ligada à Igreja Messiânica (não estou aqui julgando a religião, inclusive, frequentei quando era bem jovem. Estou apenas relatando algo que está no site deles e me entristece.), a diretoria faz, anualmente, uma cerimônia em memória dos mais de 450 mil frangos, 320 mil bois e 5 toneladas de trutas mortos de forma "humanitária" por mês,  gerando aos seus cofres a bagatela em torno de R$170 milhões (crescimento de 103% em 2020.). No culto de sufrágio dos espíritos dos animais, são proferidas palavras como: "... Ó Deus, Senhor e Criador do Universo aceitai nossa prece pelos espíritos que foram sacrificados no exercício de sua atividade..." 

Em 2016, após muitas pesquisas, 13 renomados neurocientistas liderados por Philip Low, da Universidade de Stanford, assinaram um manifesto em Cambrigde afirmando que todos os mamíferos, aves e criaturas marinhas têm consciência. Neste mesmo ano, Dr. Low parou de comer carne alegando não ser mais possível dizer que não sabia. Em 500 A.c, Pitágoras já dizia que os animais dividiam conosco o privilégio de ter uma alma. 

Portanto, diante dos fatos, peço licença ao leitor para fazer uma prece pelos diretores e consumidores dos "produtos" da Korin: 

- Senhor, perdoe-os, pois eles já sabem... E ainda assim o fazem!