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O desencantamento da torcida com a Seleção Brasileira

O desencantamento da torcida com a Seleção Brasileira

Data de Publicação: 17 de novembro de 2020 10:57:00

Bruno Rocha é Jornalista formado com passagens por jornais impressos e onlines de Campos e Macaé. Cobertura do futebol carioca, Campeonatos Brasileiros das Séries B e C, e outros eventos esportivos.

Twitter:@bruno_rroch


 

O desencantamento da torcida com a Seleção Brasileira 

Foto: Lemyr Martins

Félix, Carlos Alberto, Brito, Djalma Dias e Rildo; Piazza, Dirceu Lopes e Gérson; Jairzinho, Tostão e Pelé. Que amante do futebol brasileiro não sabe de cor e salteado essa escalação tricampeã do mundo em 1970, no México?

E não precisa ser campeão para marcar história. Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho, Toninho Cerezo, Júnior, Paulo Isidoro, Sócrates, Serginho, Zico, Edinho, Roberto Dinamite e Dirceu. Mesmo sendo eliminados pela Itália, encantou o mundo com um futebol “arte”.

Para os torcedores de meia-idade: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho; Bebeto e Romário.

Mas, desde então - mesmo com o pentacampeonato em 2002 - nenhuma Seleção Brasileira encantou ou atraiu tantos olhares da torcida. O quadrado mágico formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano Imperador, em 2006, criou euforia e expectativa nos torcedores, mas no fim a eliminação para a França – outra vez – levou a uma frustação maior ainda.

Já se passaram 18 anos desde o Penta, e desde então a Seleção Brasileira colecionou algumas derrotas lastimáveis como o 7 a 1, na Copa do Mundo do Brasil. Embora a safra de bons jogadores continua ativa, com craques como Robinho, Diego, Thiago Silva, Marcelo, Daniel Alves, Neymar, Firmino e Phelippe Coutinho, entre tantos outros, não caiu no gosto e afasta cada vez mais o torcedor da paixão pela Seleção Canarinho.

Hoje é comum ouvir de um jovem torcedor que prefere assistir aos jogos dos seus times favoritos e até da Europa do que assistir o Brasil jogar. Muitos jogadores que hoje estão nos maiores clubes como Real Madrid, Barcelona e Liverpool, não apresentam o mesmo futebol com a camisa verde e amarela e criam na cabeça do torcedor a dúvida quando ao amor pela Seleção.

No entanto, muito dessa paixão vai embora quando os jogadores deixam seus times por aqui – alguns nem chegam a jogar uma temporada completa e saem ainda na base – e vão para os gigantes do futebol europeu. Ou seja, não se cria um vínculo, um elo entre o jogador e a torcida. Não há uma representação como antes: Zico pelo Flamengo, Roberto Dinamite pelo Vasco, entre tantos outros.

Os ídolos estão cada vez mais distantes, mais “gringos”, falam outra língua e jogam outro futebol. A Seleção não tem mais o futebol arte de antes. A Seleção não tem o mesmo peso, não leva medo ao adversário. É um time comum. Tão comum que nem a Globo faz questão mais de transmitir seus jogos. Algo considerado impossível anos atrás. Logo a Globo que sempre esteve em todos os jogos, desde um amistoso contra o Haiti para arrecadar alimentos até uma final de Copa do Mundo.

Hoje, a Seleção Brasileira encara o Uruguai pelas Eliminatórias e pouco se ouve falar sobre o jogo, a principio não terá transmissão pela TV e amanhã o resultado será menos importante do que os jogos do Brasileirão.